sábado, março 17, 2007

José Maria, a sua Pintura e a Guitarra de Coimbra...

No encerramento da Exposição de Pintura que trouxe até nós uma visão sentida e pessoal do Fado. Partindo desta herança do povo, cruzada por dor e esperança, José Maria Oliveira deu a conhecer a nova geração de guitarristas. E não poupou na escolha!
Foi uma actuação de 140 minutos do melhor que se tem criado para a Guitarra Coimbrã. Paulo Soares (guitarra) e Rui Poço Ferreira (viola) deram testemunho que a Guitarra Portuguesa está bem viva e rejuvenescida com as composições deste fabuloso jovem guitarrista Paulo Soares (camisa aos quadrados).
Encantaram o público com as interpretações de Artur Paredes, Carlos Paredes e Octávio Sérgio, terminando com os temas de Paulo Soares (Jojó) que arrancaram calorosas e longas palmas de uma ampla e deliciada assistência.
Adorei em particular a "Almedina" pela fusão e estilo jazzístico que nela senti.
Foi uma grande tarde!
Obrigado Zé Maria pela oferta e pela brilhante escolha!



Alguns chapéus de estudantes

Em louvor de Jean Baudrillard, nascido em Reims a 27 de Julho de 1929 e falecido na cidade de Paris no pretérito dia 06 de Março de 2007

O que a fotografia documenta é o vulgar boné de fabrico industrial internacional, considerado chapéu identificativo nos meios estudantis do Gão-Ducado do Luxemburgo.

Supõe-se que este boné seja o resultado final de um longo percurso que, passando pelo Shako (barretina militar muito em uso na Guerra Peninsular e décadas ss.) e pelo Képi dos anos de 1860 (boné cilíndrico de pala, tipo "gendarme" francês e GNR), que se popularizou nos EUA na década de 1920.

O primeiro grande agente de popularização deste boné terá sido o lendário Babe Ruth, jogador dos Yankies de Nova York na década de 1920. A partir de 1954, a "casquette" foi apropriada como imagem de marca e símbolo do baseball norte-americano.

Inicialmente masculina, a "casquette" foi democratizada pela indústria do pronto-a-vestir norte-americana, passando a ser fabricada em todas as cores e modelos unissexo, de calote mais rígida ou flexível, pala plana e arqueada, ajustador posterior de botão, fivela e velcro, incorporando letras e emblemas de toda a sorte. Na infinita gama de "casquettes" que se conhecem, há variantes para todos os gostos: "army", "new era cap", "yankies", infantário, clube de baseball, clube de futebol, cores do movimento Hip-Hop.

Não se sabe exactamente em que altura os estudantes luxemburgueses passaram a considerar a "casquette" como símbolo identificativo. Talvez a partir do Maio de 1968, pois no final dos "sixties" era assumida pelos estudantes norte-americanos como signo de contestação.

Antes das lojas de vestuário portuguesas terem começado a vender este tipo de boné, ele já era bem conhecido em todas as ilhas dos Açores (crescente divulgação e uso na década de 1960), por via dos emigrantes radicados nos EUA, país onde passara a ser usado por desportistas, madeireiros, camionistas, trabalhadores da construção civil, gasolineiros, empregados de restaurantes e supermercados.

Com a implementação da sociedade de consumo em Portugal, a "casquette" passou a integrar as mercadorias de fruição acessível: visitas de estudo e passeios de infantários, viagens de idosos, romarias, trabalhadores rurais (Açores), adeptos do Hip-Hop, bombeiros, comícios partidários, campanhas partidárias, causas humanitárias, promoção de filmes ou discos, com crescente adesão nos estudantes do Ensino Básico (1º, 2º e 3º Ciclos) e Secundário. À medida que os clubes de futebol foram abrindo lojas de souvenirs e transformaram as suas cores e emblemas em mercadoria, o clássico "kit" boné/camisola/cachecol não mais parou de vender-se a bom ritmo.

Sintomaticamente, cerca de meio século após o abandono dos chapéus masculinos em todo o Ocidente, os jovens estudantes portugueses do Básico e do Secundário apropriam-se deste acessório kitschesco e fazem dele uma espécie de símbolo internacional do adolescente.

No caso de Portugal, a "casquette", que em nada se relaciona com o historial do traje académico, tem sido motivo de orgulho para os estudantes e quebra-cabeça para os docentes nas salas de aula e gabinetes escolares. Em geral, os alunos teimam em estar nas salas de aula com os bonés. Quanto aos professores, uns mandam retirar os bonés, outros fazem de conta que não os vêem e outros ainda defendem que os costumes evoluiram e, como tal, já se não deverá considerar falta de educação estar na aula com a cabeça coberta...

Fonte: http://fr.wikipedia.org/wiki/Casquette.

AMNunes



Alguns chapéus de estudantes

Desfile de alunos da École Politéchnique numa rua de Paris, em Grand Uniforme (GU) no dia 8 de Maio de 2005. Os alunos da Polytéchnique costumam ocupar lugar de honra nos cortejos anuais de 14 de Julho. No que aos uniformes académicos e universitários respeita, como que se registaram na França pós-1789 dois movimentos aparentemente opostos e irreconciliáveis:

1) desacreditação da "Toge" talar, nacionalizada e normalizada pelo poder central (Ministério da Educação). Mantida nas solenidades das universidades e escolas normais superiores, entrou em declínio a partir do Maio de 1968 (em França, como em Portugal, banalização do hábito talar universitário, mas sem correlativo no mundo judiciário onde o Ministério da Justiça respeita e soleniza as togas de uso diário e os hábitos talares de luxo herdados dos trajes de corte);

2) hiper valorização institucional e sócio-profissional do Grand Uniforme (GU) de origem militar, orgulhosamente envergado nas suas plurímas formulações estéticas na École Polytéchnique e no Institut de France. Esta solução, a um tempo anticlerical e aparentemente laica, conheceu os seus adeptos no Portugal de Oitocentos. Logo a seguir ao triunfo das hostes liberais, discutiu-se na UC da possibilidade de adopção de um uniforme de porte diário próximo do figurino "napoleónico" do Institut de France (1799), projecto que não vingou (contudo, com reflexos evidentes na retratística reitoral entre 1850-1880 finais). Nas Escolas Médico-Cirúrgicas e Politécnicas de Lisboa e Porto (ver Armando Luís de Carvalho Homem, "O Traje dos Lentes", 2007), o Grande Uniforme seria consagrado como traje de gala dos lentes na década de 1850 e para os sócios da Academia Portuguesa de História restaurada em 1936 ("Estatutos" de 1945, artigos 23º e 24º).

O que a intelectualidade francesa nunca conseguiu justificar cabalmente foi em que fundamentos se baseia desde 1789, com trânsito por 1968 e ss., para pretender que o Hábito Talar pode ser considerado reaccionário nos meios universitários mas não no universo do judiciário (quando é justamente no judiciário que o traje de corte com cores de luxo, galões de ouro e arminhos sumptuários mais se evidencia), ou que os hábitos talares académicos devem ser vistos como "conservadores" e os uniformes de raiz militar como "progressitas" ou quiçá mais dignificantes. E com isto, contra mim e contra a minha confessa francofilia falo...

Fontes:

-"Bicorne", http://fr.wikipedia.org/wiki/Bicorne;

-"École Polytéchnique", http://fr.wikipedia/wiki/;

-"École Polytéchnique", http://www.polytechnique.fr/.

-"Institut de France", textos e fotografias de apoio editadas por Armando Luís de Carvalho Homem no Blog em 24/12/2006 e 25/12/2006.

AMNunes


Alguns chapéus de estudantes
Grande plano do BICORNE ou Cocked Hat, símbolo dos estudantes da École Polytéchnique de Paris, fundada em 1794. O bicórnio é usado com as restantes peças de indumentária do Grand Uniforme, composto por espada ("tangente"), cinto, calças de costuras avivadas a vermelho e casaca militar com duas careiras de botões metálicos. Com a admissão das primeiras alunas em 1972, o traje sofreria adaptações. No essencial mantém-se o mesmo modelo, tendo a calça comprida sido substituída pela saia.
AMNunes


Alguns chapéus de estudantes
Bicórnio ou bicorne em feltro preto de estrutura rígida, frugalmente ornamentado com presilha e colher de pau (imagem de inícios do século XX, editada no Blog em 24/02/2007. Mais dados no artigo "Imagens da Indumentária Estudantil em Salamanca", Blog, edição de 24/02/2007).
Foi usado como complemento da Loba e Mantéu pelos estudantes universitários espanhóis entre finais do século XVIII (ca. 1773-1834). A partir da década de 1870 passou a ser considerado chapéu de tuno, pelo que conheceu largo sucesso até aos anos de Segunda Guerra Mundial. Tunos espanhóis que com ele se deslocaram a Paris (finais da década de 1870), Coimbra (1888) e Oitavo Centenário da Universidade de Bolonha (1888) fizeram furor.
O bicórnio nunca foi adoptado pelos estudantes da UC, apesar da sua profusa consagração nos fardamentos militares e librés de gala dos archeiros da Casa Real e UC, bem como no Institut de France (1799), École Polytéchnique de Paris, Academia das Ciências (Portugal), Escolas Médico-Cirúrgicas e Escolas Politécnicas (Lisboa e Porto, década de 1850).
O bicórnio não é considerado em Espanha um chapéu estudantil. Como símbolo dos tunos que era, é raríssimo vê-lo nas tunas que passaram a copiar o traje à "Século de Ouro" introduzido pela Tuna Universitária de Salamanca em 1973 [por facilidade de indentificação poderíamos dizer "traje à Camões", com evidentes anacronismos e sem cobertura de cabeça].
Pela década de 1980, episodicamente, ainda se via um ou outro exemplar em elementos da Tuna Universitária Compostelana, madrinha de baptismo da TAUC. "Folheando" um velho lp vinil que comprei em Junho de 1993 à Tuna Universtaria Compostelana, quando actuava na praça fronteira à Catedral de Santiago, constato: a) dos 28 estudantinos visíveis na capa do referido disco, praticamente todos envergam o "traje de carnaval" adoptado na década de 1870, sem adesões de vulto à beca (década de 1950) ou ao traje salmantino à "século de ouro"; b) avistam-se seis bicórnios pretos de feltro, alguns com colher e garfo; c) há um tuno com barrete quadrangular preto e borla vermelha, insólita sobrevivência do chapéu seiscentista que se usou nas universidades de Coimbra, Salamanca, Paris, sem esquecer a vestiária de clérigos e profissionais do foro judicial.
O bicórnio ainda é usado em França pelos estudantes da Académie Polytéchnique de Paris e nas galas solenes do Institut de France.
AMNunes

Alguns chapéus de estudantes
Fotografia do estudante do Liceu de Évora António Augusto Carvalho (ca. 1922), com anterior passagem pelo Liceu Pedro Nunes (Lisboa), estabelecimento onde também se usou esta barretina. O "Tacho", era uma variante do Fez (sem borla no centro da copa), muito semelhante à Calotte dos estudantes universitários católicos belgas, referida neste Blog em post de 15/03/2007. Terá sido usada por alunos/alunas da Academia do Porto entre 1916 e a década de 1920, conforme se deduz das fotos e legenda publicadas pelo Dr. João Caramalho Domingues neste mesmo Blog em 09/01/2006.
Nos meios estudantis de Évora, Lisboa e Porto, onde há conhecimento de ter sido usado, o "Tacho" era uma peça de indumentária complementar da Capa e Batina. Não sabemos quando caíu em desuso, mas talvez se possa apontar a passagem dos anos vinte para o decénio de 1930.
Os estudantes portugueses do 3º Ciclo do Ensino Básico e do Secundário não adoptaram no após 1974 nenhum símbolo distintivo, embora largo espectro deles faça uso da vulgar e democrática "casquette", de que se falará noutra imagem.
Fonte: documento cedido por José Anjos de Carvalho
AMNunes

quinta-feira, março 15, 2007

TEOTÓNIO XAVIER

TIVE O GRATO PRAZER DO CONHECER PESSOALMENTE NOS FINAIS DA DÉCADA DE 90, AQUI POR FARO, NUM MÊS QUE DEDICAMOS AO FADO, EM GERAL.
UM HOMEM DE EXCEPÇÃO DE FINO TRATO, PEDAGÓGICO, SENSÍVEL, EXTREMAMENTE CULTO, CONHECEDOR DO UNIVERSO DA GUITARRA DE COIMBRA EM TODAS AS SUAS VERTENTES E DAS "MANHAS" TÉCNICAS DO INSTRUMENTO, QUE NÃO SE IMPORTA DE EXPLICAR A QUEM O OUVE.
SEMPRE DISPONÍVEL, OUVI-O TOCAR ALGUMAS VEZES : - TÉCNICA PRECISA, RIGOROSO, LÍMPIDO EM GUITARRADAS DE SEMPRE. AMIGO DO AMIGO.
José Maria Oliveira

Alguns chapéus de estudantes
LA FELUCA ("goliardo", "pileu", "berretto", "copricapo") é considerado o chapéu tradicional dos escolares goliardos e, por generalização, dos universitários italianos.
As cores e ornamentos deste chapéu de configuração e origem medieval à "Robin Hood" variam conforme os estabelecimentos de ensino e cores científicas institucionalizadas. Ao contrário dos tardios barretes e boinas estudantis da França, Bélgica, Suécia, La Feluca já existia, mas a sua grande popularização e generalização nos meios académicos italianos operou-se a partir de 1888, isto é, do encontro internacional de estudantes por ocasião do Oitavo Centenário da Universidade de Bolonha.
Ressalvando o Gadz francês, este chapéu, e os restantes exemplos que hoje divulgamos nesta rubrica, não se encontra associado a nenhum traje em particular.
Além do peculiar interesse que estas informações revestem em tempos de candidatura da UC a Património da Unesco, haverá que tomar em consideração o bom acolhimento cultural aos alunos dos cursos de férias e do Programa Erasmus.
Fonte: fotografia de uma vitrine numa rua da Cidade Universitária de Pádua, http://it.wikipedia.org/wiki/Goliardia/-62k.
AMNunes

Alguns chapéus de estudantes
LA FALUCHE ou "Pain des Flandres" é o barrete tradicional dos estudantes universitários franceses, oficialmente inventado em Paris no dia 25 de Junho de 1888, no rescaldo da participação dos estudantes de Paris no Oitavo Centenário da Universidade de Bolonha.
Trata-se de um barrete preto de veludo, estilo renascença, que foi avistado pelos universitários parisienses na Região de Bolonha e prontamente apropriado como novo produto típico francês.
La Faluche é uma gorra popularizada na maior parte das universidades francesas. Deu origem a códigos, normativos cromáticos, encontros de fãs e incontáveis associações "faluchards". Criticado pelos sectores mais radicais do Maio de 1968, que o consideraram reaccionário e monárquico, "le beret d'étudiant" voltou em força.
Fotografia: "Association des Faluchards Grenoblois", http://afg.gre.free.fr/.
La Faluche inscreve-se na mesma tipologia de outras gorras institucionalizadas nos meios universitários ocidentais.
Vale a pena ver e comparar alguns "traços de família":
1 - gorra doutoral oficializada em algumas universidades germânicas, visualizável numa fotografia alusiva ao d.h.c. de Gilberto Freire na Universidade de Munster, editada neste mesmo Blog em 30/12/2006. Julgo que esta gorra, que tem variantes conhecidas, comporte também uma dimensão religiosa, na medida em que possa estar ligada aos pastores luteranos, mas infelizmente não disponho de mais informação sobre o assunto;
2 - gorra doutoral da Universidade do Minho, estudada com apoio de imagens por Armando Luís de Carvalho Homem na obra "O Traje dos Lentes"/2007 (noticiada neste Blog, 11/01/2007); fotografia do d.h.c. do Prof. José Luís Encarnação, editada no Blog em 15/03/2007; retratos reitorais, no site da Universidade do Minho. Galeria dos Reitores, http://www.uminho.pt/;
3 - gorra doutoral de alguns institutos superiores e universidades norte-americanas (em alternativa à inconfundível CAP ou Mortarbord, oriunda da Grã-Bretanha), fotografias divulgadas neste Blog por Armando Luís de Carvalho Homem (Boston College, Brown University...) em 14/01/2007;
4 - gorra doutoral da Universidade Lusíada, estudada por Armando Luís de Carvalho Homem na monografia supra-citada no ponto 2, com imagens de apoio. Cf. anda o site da Universidade Lusíada.Lisboa.Trajes Académicos, http://www.lis.ulusiada.pt/universidade/reitoria/trajesacademicos.htm/;
5 - gorra doutoral da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, estudo e imagens de apoio em Armando Luís de Carvalho Homem, op. cit. supra, alínea 2.
AMNunes



Alguns chapéus de estudantes

De acordo com o relato convencional, LA CALOTTE é o barrete adoptado pelos estudantes universitários católicos belgas, por volta de 1870, ano em que terão combatido na Itália em defesa dos territórios papais.

Segundo dados que se nos afiguram mais fiáveis, La Calotte terá sido introduzida no meio académico de Louvaina pela mão do estudante Edmond Carton em 1895, aluno que se destacou como fundador da Société Générale Bruxelloise des Étudiants Catholiques da Universidade de Louvaina.

A configuração da Calotte é semelhante à da Kippa dos judeus orientais, podendo também comparar-se com a Skophia dos cristãos ortodoxos (apesar de esta ser muito requintada). Os estudantes belgas assumem sem complexos que a sua Calotte resultou de um transplante do barrete do corpo de Zuavos do Papa, força militar instituída por Pio IX em 01 de Janeiro de 1861. Calcorreando as diversas pistas que esta informação oferece, não sobejam dúvidas que o barrete usado pelos zuavos papais na década de 1860 era o chamado FEZ ou CHÉNIA de estrutura mole vulgarmente envergado pelos turcos otomanos e pelos descentes dos mouros expulsos de Granada em 1492 que se haviam radicado no Norte de África. Como tal, este tipo de barrete ocorre largamente nos povos islamizados do Norte de África, em particular na Tunísia. Uma sua variante muito simplificada era usada na passagem do século XIX para a centúria de XX por porteiros de hotéis portugueses e fotografias do período 1916-1925 dão conta da sua presença em alguns liceus (ver "Tacho" e "Barretina").

Voltando ao relato belga, a Calotte praticamente desapareceu entre os anos de 1950-1970, para ressurgir com grande veemência na década de 1980, associada a valores como o academismo, o catolicismo e o patriotismo bairrista.

Para mais dados sobre imagens, história, simbologia, cores e associações:

-"La Calotte", http://fr.wikipedia.org/wiki/Calotte;

-"La Calotte", http://www.geocities.com/Athens/7371/calotte.html-30k;

-"Namuroise", http://www.namuroise-namur.be/.

AMNunes


Alguns chapéus de estudantes
Boné de tipo polícia, não anterior à segunda metade do século XIX, popularizado pelos estudantes belgas do ensino superior não católico como Louvain-la-Neuv, com a designação de LA PENNE CONSULAIRE. Trata-se de um chapéu não conformista, profundamente imbricado à imagem do operariado oitocentista, como ferroviários, maquinistas de combóios, e mais tarde condutores de eléctricos...
A ornamentação obedece a uma codificação.
AMNunes


Alguns chapéus de estudantes
Conjunto de farda de tipo marinha (calça, casaco, capote) e boné/"gadz" azul de pala rígida (GADZARTS), tradicionalmente adoptado pelos alunos da École Nacionale Supérieure d'Arts et Métiers (França). A fotografia, de 1935, mostra o trajo completo.
AMNunes


Alguns chapéus de estudantes
Boné tradicional dos estudantes universitários suiços, de estrutura mole, copa redonda e pala rígida, conhecido pela designação de STELLA. As cores variam conforme os cursos.
Já estava popularizado na primeira metade da década de 1880 e foi orgulhosamente exibido pelos estudantes suiços que estiveram presentes no Oitavo Centenário da Universidade de Bolonha em 1888.
Fonte:
-"Stella Bernensis", http://stella.geoloweb.ch/;
-"Stella Helvetica", http://www.stellahelvetica.ch/.
AMNunes


Capelo Bracarense (1)
Grande plano do capelo canonical da Sé Catedral de Braga, permitindo visualizar em pormenor a distrinça entre o tecido negro peitoral e o forro, bem como o tipo de abotoadura à século XVII e a ornamentação relativamente sóbria.
A influência exercida sobre o modelo de capelo doutoral adoptado na Universidade do Minho parece-nos evidente, embora se admita que o órgão reitoral possa não se rever na referida matriz.
Fonte: peça do guarda-roupa privativo da Sé Catedral de Braga, fotografada em 1997 mediante amável autorização.
AMNunes

Capelo Bracarense (2)
Imagem integral do capelo canonical portugês, modelo consagrado no cabido da Sé de Braga e ainda hoje usado nas procissões do Enterro/Semana Santa.
Integralmente preto, é dotado de carcela fingida com simulação do caseamento, fileira de 15 botõezinhos guarnecidos, 6 jogos de rosáceas e bizarro capuz dorsal de lançar pela cabeça nas cerimónias fúnebres.
Por aquilo que nos foi dado apurar, os cónegos podiam envergar os seus capelos fora das catedrais, em cerimónias fúnebres e procissões, mas no essencial vestiam este tipo de insígnia para receberam solenemente o seu bispo à porta da catedral e durante a realização dos ofícios corais.
Fonte: peça do guarda-roupa privativo da Sé Catedral de Braga, fotografada em 1997 mediante autorização.
AMNunes

Capelo Bracarense (3)
Cónego com o respectivo capelo de botões, alamares e capuz dorsal, na cerimónia solene de inaguração das obras de restauro da Igreja de Lousado (Famalicão) presidida pelo Cardeal Patriarca de Lisboa D. Manuel Gonçalves Cerejeira, no dia 23 de Abril de 1961 (cf. D. José da Cruz Policarpo, "Cardeal Cerejeira. Fotobiografia", Lisboa, Notícias Editorial, 2002, p. 110).
O autor da fotobiografia não identifica o orante, lacuna que pode dificultar a interpretação iconográfica. Em todo o caso, não se trata do modelo roxo da Sé Catedral de Coimbra, e julgamos que também não seja o da Sé Catedral de Braga (ver fotos 2 e 1). É possível que o Cardeal Cerejeira se tenha feito acompanhar nesta cerimónia por um cónego da Sé Patriarcal de Lisboa, pois o tipo de ornamentação peitoral do capelo parece ir ao encontro do capelo do falecido Cónego Doutor Isaías da Rosa Pereira (Sé de Lisboa, tom rosa).
O capelo canonical português, com a sua estrutura de capuz alongado, botõezinhos e alamares (não confundir com as murças de arminhos, também usadas pelos cónegos portugueses), constitui uma insígnia de triplo interesse, tanto mais que caíu em desuso após as recomendações simplificadoras formuladas pelo Papa Paulo VI em 1969, apenas de usando na Sé de Braga:
-enquanto insígnia eclesiástica portuguesa que é, distinta dos capelos canonicais conhecidos no resto do Ocidente cristão;
-enquanto modelo intermédio que foi entre o primitivo capelo da Alma Mater Studiorum Conimbrigensis e o figurino barroco definitivo consagrado no século XVIII;
-enquanto matriz inspiradora das insígnias doutorais institucionalizadas pela Universidade do Minho no após 1974.
AMNunes

Capelo Bracarense (4)
Documento alusivo ao doutoramento honoris causa do Prof. José Luís Encarnação pelo Departamento de Sistemas de Informação da Universidade do Minho em 18 de Fevereiro de 2002, docente e investigador que desenvolve na Alemanha trabalhos nas áreas de Ciências e Tecnologias, Cumputação Gráfica e Sistemas de Informação (cf. "Universidade do Minho atribui o título de Doutor Honoris Causa ao Prof. José Luís Encarnação, http://www.dsi.uminho.pt/).
Conjunto vestimentário negro constituído por gorra renascença, beca talar, capelo de alamares (seis jogos de rosáceas peitorais, três de cada lado, sem botões) com extenso vivo de tipo romeira cor de tijolo [cor provavelmente oriunda da UPorto] e medalha.
Em 14 de Abril de 2006 divulgámos no Blog "guitarradecoimbra" uma fotografia cedida pelo Dr. João Caramalho Domingues reportada a um cortejo de lentes a Universidade do Minho onde o capelo universitário bracarense era mais visível. Trata-se agora de procurar colmatar a legenda dessa fotografia, estabelecendo as devidas correlações com o capelo canonical (fotos 3, 2 e 1 desta série), peça que reputamos como matriz da insígnia adoptada pela Alma Mater Bracarensis.
AMNunes

quarta-feira, março 14, 2007








"Os lugares de José Afonso", é o título deste artigo sobre José Afonso, da revista VISÃO, com o nº 729, de 22 de Fevereiro deste ano, com texto de Ana Margarida de Carvalho.

terça-feira, março 13, 2007

Greve Académica de 1907

Coimbra, 13 de Março de 2007

Ex.mo Sr. Presidente da Direcção Geral Associação Académica de Coimbra.

Já não sou estudante de Coimbra actualmente, no entanto, tive a honra de o ter sido no passado mas, como V.a Ex.a deverá entender, quem é estudante de Coimbra uma vez, sê-lo-á pela vida fora e, como me preocupei desde sempre com as coisas da Academia, resolvi enviar esta missiva a V.a Ex.a.

Quando damos entrada no Edifício da AAC, deparamo-nos com uma grande quantidade de placas comemorativas dos 10, 15, 20, 25, 50, 75 anos dos organismos que compõem a Associação Académica de Coimbra, tal como placas comemorativas de outros acontecimentos de relevo para a Associação Académica, como a Tomada da Bastilha ou “Grevistas de 1969”. Placas comemorativas com as quais concordo, pois serão um suporte de memória da Academia.
Contudo, se se faz placas para uns acontecimentos também não devemos olvidar outros,. É que, caso V.a Ex.a não saiba, e é o que efectivamente me dá a entender, acabaram de se cumprir 100 anos da Greve Académica de 1907 (também em tempo de ditadura, originada pelo “chumbo” de um Doutorando no acto de defesa da Tese de Doutoramento) e, já agora, permita-me V.a Ex.a a audácia de o questionar porque não houve qualquer acto por parte da AAC para recordar este momento Histórico importante para a Academia? Tal como se recordam (e legitimamente) outras crises académicas, porque razão esta não foi recordada? Para mais, quando é o centenário desta mesma Crise.
Se V.a Ex.a não tiver conhecimentos acerca do tema, que é o que mais me parece, permita-me que lhe recomende a leitura de algumas obras acerca do tema, entre as quais:

- LAMY, Alberto de Sousa – A Academia de Coimbra: 1537-1990: História, Praxe Boémia e Estudo, Partidas e Piadas, Organismos Académicos. Lisboa: Rei dos Livros, 1990. Nesta obra, vem um capítulo sobre esta Greve Académica.

- XAVIER, Alberto – História da Greve Académica de 1907. Coimbra: Coimbra Editora, 1962.

Vem também na net em alguns sites:
-Almanaque Republicano,
-Museu Bernardino Machado recorda a Revolta Académica de 1907
http://www.cm-vnfamalicao.pt/noticias/desenv_noticias.php?ntid=1722

Sem outro assunto de momento,
Saudações Académicas

Rui Lopes

PS.1 – Permita-me V.a Ex.a o atrevimento, sei que eventualmente nem vai ler esta minha missiva ou, mesmo que o faça, o destino provável desta nos segundos seguintes será o cesto dos papéis, mas aceite esta crítica, que não pretende ser destrutiva.

PS.2 – Em relação ao site da AAC, reparei que apenas têm os Presidentes da AAC desde o 25 de Abril de 1974, porque não põem os anteriores? Estão quase todos na Obra do Dr. Alberto Lamy que referi acima e até alguns nomes sonantes: António Arruda Ferrer Correia, Francisco Salgado Zenha, Carlos Candal e Alberto Martins, entre outros.

Texto do livro "No rasto de Edmundo de Bettencourt - uma voz para a modernidade", de António Manuel Nunes, editado em 1999, edição Secretaria Regional do Turismo e Cultura, da Madeira.
Pretendo, ao inserir este texto, tirar dúvidas que me foram postas sobre as autorias da letra e música desta Canção de Coimbra.

segunda-feira, março 12, 2007

Traje do Tricórnio
[Variante da Tuna Universitária do Minho]
Os estudantes da Universidade do Minho (UM) começaram por usar a Capa e Batina de modelo clássico conimbricense, tendo de igual modo adoptado na década de 1980 eventos festivos inspirados em Coimbra como a Queima das Fitas.
Contudo, durante o mandato do estudante Luís Novais como Presidente da Associação Académica da UM operou-se uma viragem significativa. Este estudante, baseado em escritos de Ignácio José Peixoto (Arquivo Distrital de Braga) e em painéis de azulejos da caixa das escadarias da Reitoria (antigo Paço Espiscopal de Braga), encetou um movimento em prol da recuperação/reactualização daquilo que teria sido o traje dos alunos do setecentista Colégio de São Vicente de Paulo (extinto por Pombal, 15/02/1759). No imediato, o movimento pró-tricórnio colheu adesões e apoios na Reitoria e junto de docentes da UM como o historiador José Viriato Capela.
Em 1989 era finalmente lançado o Traje do Tricórnio preto, versões masculina e feminina, composto por calções/ou saia, meias altas, casaco e capa fidalgas de inspiração setecentista e tricórnio.
A aventura bracarense colheu aplausos e semeou solaios e rejeições. Em Braga, a Faculdade de Filosofia da Universidade Católica não aderiu ao Traje do Tricórnio nem à implementação do Enterro da Gata (reactualização das festividades de fim de ano do velho Liceu Sá de Miranda), tendo continuado a preferir nos anos imediatos a Capa e Batina e a Queima das Fitas. Do antigo Liceu de Braga (secundária Sá de Miranda) é de admitir que os professores mais idosos tenham feito vista grossa ao Tricórnio, mais não fosse por lembrança da Capa e Batina ali trajada desde 06/04/1873. Mas a Academia Bracarense tinha-se preparado para o contra-ataque. Aos desconfiados locais opôs o persuasivo argumento da salvaguarda patrimonial, a propósito da revitalização do perdido Enterro da Gata.
Os estudantes da UM do Pólo de Guimarães viveriam anos difíceis, fruto da oposição cerrada da comissão das Festas Nicolinas, cujos membros confrontam orgulhosamente as Nicolinas e a Capa e Batina com o Enterro da Gata e o Tricórnio.
Seja invocando motivos meramente sentimentais, seja apontando as lacunas da reclicagem iconográfica, noutras vozes, academias, tunas e corais, a compreensão do fenómeno bracarense tardou a chegar.
Sites de apoio:
-Coro Académico da Universidade do Minho, http://www.caum.pt/;
-Código da Praxe. Universidade do Minho. Revisto em 20/11/2000, Capítulo V: Do Traje. Apêndice C (croquis), http://adsl.tvtel.pt/antipodas/aaum.pdf;
-foto extraída do site Tuna Universitária do Minho (fundada em 1990). Traje, http://www.arcum.pt.tuna/;
-Festas Nicolinas, http://www.nicolinas.pt/;
-http://www.nicolinas.pt/traje.htm-25k;
-http://tordesilhas.blogspot.com/ (texto de 01/12/2004).
AMNunes



Traje do Tricórnio

Croquis do Traje Académico dos estudantes da Universidade do Minho, instituído em 1989, versão masculina.

Fonte: Tricórnio, http://www.diogoeduarda.com/tricornio.html.

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Actual Traje Académico da Escola Superior Agrária de Coimbra
Versão feminina, composta por botas de couro de cano alto, calças castanhas de montar, jaqueta verde, camisa branca, gravata verde, laçarote amarelo e verde e pingalim.
Nos anos que se seguiram à institucionalização da Escola Superior Agrária, os alunos envergaram Capa e Batina de modelo clássico conimbricense. Em finais da década de 1980 foi criada uma comissão de trabalho (de que fez parte o então estudante e já promissor mágico Luís de Matos...) que teve como tarefa definir o Traje Académico da Escola Superior Agrária. O novo modelo baseou-se nos documentos antigos da instituição, mas não pretendeu ser uma réplica fiel do que existira no passado.
A apresentação pública fez-se num dia de há muitos anos, em que tive o grato prazer de estar presente como convidado, conjuntamente com outros representantes da Academia de Coimbra, cujo Conselho de Veteranos se fazia representar pelo ilustre académico João Cunha.
Fonte: A Cavalo. Quem Somos, http://web.tiscali.it/a_cavalo/quemsomos.htm.
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Antigo Traje de Cerimónia da Escola Agrária de Coimbra
Em alternativa ao traje de porte diário, na Escola Nacional de Agricultura de Coimbra (de Regentes Agrícolas, ulteriormente Escola Superior Agrária), os alunos podiam vestir um traje de cerimónia, cujo figurino acaba por ser uma quase adaptação do chamado Traje Português de Equitação/Traje de Montar, com ligações genéticas ao "traje de lavrador" oitocentista, ao andaluz/flamenco Traje Rociero ou Traje de Montar, de que não podemos deixar de assinalar reflexos em formulações masculinas mexicanas da mesma época.
O conjunto camisa/colete/jaqueta curta/chapéu, botas de couro, vem da 2ª metade de setecentos, 1ª metade de oitocentos, sendo primitivamente usado em Portugal e no sul de Espanha com meias altas e calções. A calça comprida de montar é uma aquisição do século XIX, posterior a 1820.
Em termos cromáticos, os padrões clássicos admitidos neste trajo são o branco (camisa) e o castanho, preto ou cinzento para as restantes peças. O Ribatejo reclama a origem deste traje (sem argumentos consistentes), assim constituído na 2ª metade do século XIX:
-jaqueta ou "chaqueta" curta, de bainha rematada a direito, podendo levar alamares de prata e botões ricos na frente e nos punhos;
-calças compridas tubulares de cós alto e cintado, de ajustar nas costas com atilhos (as primitivas eram de alçapão e não de braguilha);
-botas de couro de cano alto;
-colete de decote, com ou sem abas, podendo abotoar ao meio ou possuir duplo caseamento;
-cinta preta de merino ou seda, de longas faixas, a terminar em franjados;
-camisa branca de peitilho plissado e carcela sobrepujada de folhos ou rendas;
-chapéu de feltro de aba larga com virola à portuguesa, fita de laço, copa e aba planas (distinto do "mazzanatini espanhol);
-gravata;
-eventual porte de lenço vermelho ao pescoço;
-capote de baeta durante o Inverno.
Fotografia: arquivo documental da Escola Superior Agrária de Coimbra, publicada por Gonçalo Reis Torgal, "Coimbra. Boémia da Saudade", II, Coimbra, 2003, p. 54. Dois alunos dedilham guitarras de voluta floral. Imagem datada de 1904.
Fontes de apoio: para a reconstituição deste traje, socorri-me de informações e fotografias presentes em sites portugueses e espanhóis, nomedamente:
-Casa Brincheiro. Cartaxo. Traje de Montar, http://www.tmedia.pt.casabrincheiro/trajes.htm;
-Traje Português de Equitação (fotos e texto), http://trajesdeportugal.blogspot.com/.
AMNunes

Antigo Traje da Escola Agrária de Coimbra
A Escola Nacional de Agricultura foi estabelecida em Coimbra, na Quinta do Bispo, em 1887. Os alunos do internato desde logo passaram a andar trajados com um uniforme quotidiano próximo do documentado nesta fotografia de 1909: bota alta de montar, calça comprida, camiseiro (do tipo bata curta), camisa branca, gravata ou laçarote e boné.
Nos festejos de fim do ano escolar e nos cortejos alegóricas promovidos pelos alunos da Universidade de Coimbra, os "charruas" eram convidados de honra e desfilavam com pasta académica de ganga e fitas brancas e verdes (segundo testemunho de Mário Castro, célebre viola e "charrua" na 1ª metade da década de 1940, o branco era a cor do leite e o verde simbolizava a vegetação. Si non e vero, e bene trovato, pese embora o facto de estas também serem as cores estampadas nos laçarotes dos tunos liceais).
Fotografia do arquivo da Escola Superior Agrária de Coimbra, editada na obra de Gonçalo Reis Torgal, "Coimbra. Boémia e Saudade", II, Coimbra, 2003, p. 52.
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domingo, março 11, 2007

Manuel Marques Inácio e José Anjos de Carvalho, dois grandes entusiastas de tudo que se relaciona com Coimbra e essencialmente a sua canção, aqui numa foto retirada do site http://www.tertuliadofado.com/main.php . Cumprimentos nossos.

Traje Académico? Ou Trajes Académicos?
Um forum de discussão
Sem pretensões de erudição, e em ambiente relativamente calmo e polido, existe na internet um espaço de discussão sobre TUNAS estudantis onde também se conversa sobre O(s) Traje(s) Académico(s). Descontando alguns compreensíveis lapsos cronológicos, as interpelações abordam a Universidade de Coimbra, o período áureo do uso da Capa e Batina nos antigos Liceus (ca. 1836-1969 e ss. até 1974), o Decreto abolicionista de 1910, o Decreto nacionalizador de 1924 e a grande movida tunante pós-1974...
Ao contrário de certos países da Europa Continental onde eventualmente existe apenas um barrete de estudante dissociado de qualquer traje (França, Bélgica, Suiça, Itália), no Portugal do pós 25 de Abril coexistem distintas situações:
1) trajes de tuna, criados para serem usados apenas por tunas estudantis nas suas actuações e digressões artísticas (ex: Infantuna, de Viseu; Real Tonel, de Viseu. Situação próxima da vivida nas tunas universitárias espanholas desde a década de 1870);
2) trajes académicos novos, específicos de uma determinada academia, que também são usados nas tunas com algumas adaptações (ex: Traje do Tricórnio, nas tunas e corais da Universidade do Minho);
3) trajes académicos novos, específicos de algumas academias, que também são usados nas respectivas tunas, mas sem adaptações dignas de registo (ex: traje estudantil da Univ. da Beira Interior; Traje estudantil da Univ. do Algarve; Traje estudantil da Univ. dos Açores; Traje estudantil da Univ. de Aveiro; Traje estudantil do Instituto Politécnico de Viseu; Traje estudantil do Instituto de Portalegre e da Escola Superior Agrária de Beja).
Aos trajes citados poderíamos adicionar outros reportados a institutos politécnicos e até a estabelecimentos de raiz bastante mais antiga como as actuais Escolas Superiores Agrárias. Quando o Governo Provisório da República procedeu à abolição do porte obrigatório quotidiano do Hábito Talar dos lentes da Universidade de Coimbra e da Capa e Batina dos estudantes da UC, o que então tinha em vista era apenas a UC. Havia uma questão a dirimir entre o governo/Partido Republicano e a UC, pelo menos desde a Crise Académica de 1907. O então ministro da tutela, António José de Almeida, não estava de todo preocupado com os alunos dos Liceus, os lentes das Escolas Politécnicas e Médico-Cirúrgicas do Porto e de Lisboa (que também tinham os seus uniformes), ou com as Escolas de Agricultura.
Muitos dos republicanos membros activos do Governo Provisório tinham feito a sua formação académica na UC e era contra a sua orgânica institucional, acusada de severas suspeições de clericalismo tridentino, pró-monarquismo e pró-franquismo, que se visava proceder. Se dúvidas havia a respeito da "questão" UC/Partido Republicano, estas tornaram-se muito claras ao longo de Julho de 1911 quando alguns deputados da Assembleia Constituinte reclamaram abertamente a extinção da Alma Mater Studiorum Conimbrigensis.
Não fora António José republicano moderado e as coisas teriam tomado outros rumos (ponderação e bom senso que feneciam ao exaltado Ministro da Instrução Leonardo Coimbra quando em 1919 mandou extinguir a Fac. de Letras).
Conforme reconheceu o próprio António José, o que valeu à UC nesses meses conturbados de 1910/1911 foi apenas o facto de as figuras mais radicais do Governo Provisório estarem inteiramente votadas à questão da laicização do aparelho de Estado, expulsão dos jesuítas, nacionalização de bens da Igreja Católica e preparação da lei de separação do Estado e da(s) igreja(s).
O decreto abolicionista de 1910 falseia a realidade, fazendo crer que o Governo Provisório pretende abolir o único traje académico existente em Portugal naquela data. Em Outubro de 1910 António José deslocou-se pessoalmente à UC para liderar as reformas republicanas, mas não aos liceus, escolas agrícolas, escolas médicas ou politécnicas. Aliás, a diferença de tratamentos não poderia ser mais flagrante. Em Coimbra, António José impôs Manuel de Arriaga como reitor da sua escolha e nomeação, como que a duplicar o estilo da reforma pombalina de 1772. Porém, logo a seguir, em 1911, fez votar os candidatos a reitores para as recém-criadas universidades de Lisboa (14/07/1911) e Porto (eleição de Gomes Teixeira e expressiva sessão solene de abertura em 16/07/1911).
Este excesso de centramento das atenções governamentais na UC deu a entender erradamente que em 1910 só existia em Portugal o Trajo Académico do tipo conimbricense, que na sua versão estudantil alastrara aos liceus e academias politécnicas de Lisboa e Porto.
Porém, a realidade não era exactamente o que a propaganda governamental fazia chegar à opinião pública:
a) quanto aos docentes, existiam e estavam consagrados na lei outros trajos nos estabelecimentos de ensino superior de Lisboa e Porto, trajes esses que o Governo Provisório fez de conta que não conhecia (a minha leitura para este fechar de olhos reside no facto de os referidos trajes não serem suspeitos de clericalismo matricial, pois haviam sido implementados na década de 1850 como uniformes ora de invocação militar, ora de figurino para-judiciário. No primeiro caso, fez-se uma aproximação à tradição napoleónica da Académie Française, no segundo, pressente-se o eco reformista espanhol que em 1850 implementou a toga de advogado como traje docente nacional);
b) quanto aos estudantes, além da Capa e Batina de modelo conimbricense, existia pelo menos o TRAJE DOS ESTUDANTES da Escola Nacional de Agricultura de Coimbra, fundada em 1887 (melhor dizendo, eram dois trajes, um de uso corrente e outro de gala, o último com jaqueta e chapeirão de feltro).
O decreto nacionalizador da Capa e Batina, promulgado em Novembro de 1924, voltava a centrar as atenções no modelo conimbricense, fazendo letra morta dos trajes académicos das Escolas Agrícolas, pese embora a novidade resultante da extensão do "modelo tradicional" a ambos o sexos.
Porém, decreto de 24 não aparecia de forma descontextualizada:
-o abolicionismo consagrado em 1910 não motivou o abandono geral da Capa e Batina, contrariando assim a experiência abolicionista imposta pelo governo de Madrid aos estudantes espanhóis em 1834 (em Espanha, o trajo académico abolido caiu em desuso e não mais se recuperou. Comparativamente, note-se que o mesmo sucedeu nos tribunais norte-americanos quanto à abolição do porte obrigatório da toga de advogado. Uma vez abolida, não seria recuperada. Mas, nesta matéria, os advogados dos EUA são a única excepção conhecida no mundo ocidental).
Outras experiências vividas entre a segunda metade do século XIX e os inícios do século XX, hoje melhor conhecidas, vinham demonstrando que os movimentos anti-trajes e anti-insígnias não estavam generalizados nos países ocidentais.
Exemplifiquemos:
-nas Universidades de Oxford e de Cambridge os candidatos aos diversos cursos só podiam matricular-se ou realizar as graduções de fim de curso com a "cap and gown";
-no Liceu de Coimbra, a Capa e Batina que fora de porte obrigatório entre 1836-1880, tornara-se facultativa, mas a maioria dos alunos perseverava no seu uso diário;
-em Espanha, sendo certo que a Loba e Mantéu abolida em 1834 não foi alvo de ulterior recuperação, as tunas universitárias inventaram na década de 1870 trajes de fantasia que rapidamente ficaram conhecidos nas universidades espanholas e em França;
-a moda dos trajes de fantasia das tunas espanholas foi conhecida e adoptada ainda na década de 1890 por tunas académicas da América Latina;
-a presença de delegações de diversas academias universitárias europeias no Oitavo Centenário da Alma Mater Studiorum Bononiensis (Bolonha, 1888), com trajes, barretes e insígnias, esteve na origem directa do movimento de invenção do barrete académico francês, dito LA FALUCHE;
-nos liceus e colégios particulares norte-americanos de ensino secundário estavam em processo de afirmação as cerimónias de graduação, que não são mais do que uma transposição do traje e dos rituais das universidades britânicas e norte-americanas;
-na época a que nos reportamos, e ao longo do século XX, os colégios particulares de ensino primário e secundário ocidentais não cessaram de oficializar uniformes colegiais obrigatórios (calção/camisa/colete/gravata, eventualmente casaco curto; saia/blusa/gravata, eventualmente colete e casaco curto), colégios onde justamente muitos dos abolicionistas mais radicais não deixaram de matricular os seus filhos...
-nos mais variados liceus continentais e insulares, os estudantes continuaram a usar a Capa e Batina, como que alheios à questão que em Coimbra e nas fileiras do Partido Republicano opunha laicistas e anticlericais a católicos e monárquicos;
-nos liceus onde existiam tunas e corais, a Capa e Batina manteve-se em uso e viveu mesmo uma conjuntura de recrudescimento;
-na UC a maioria dos estudantes "conservadores" optou pela continuação do uso da Capa e Batina. Os sócios do Orfeon Académico e da TAUC (Tuna Académica), bem como os grupos de serenateiros, nunca abandonaram o porte da Capa e Batina. Logo em 1911 o Orfeon de Joyce actuou em Paris de Capa e Batina e interpretou pela primeira vez "A Portuguesa";
-em Outubro de 1915, a Academia de Lisboa deliberou que a Capa e Batina fosse usada pelos alunos de ambos os sexos, passando desde então a ver-se muitos estudantes trajados sobretudo em Direito e Medicina nos edifícios do Campo Mártires da Pátria (cf. Gazeta de Coimbra, de 27/10/1915; idem, 04/03/1916), já se vendo em Fevereiro/Março de 1916 "grande número de Capas e Batinas, até mesmo em meninas que frequentam as escolas";
-na jovem Universidade do Porto, Tuna e Orfeão mantiveram (caso da tuna) ou adoptaram no acto da fundação (caso do Orfeão) a Capa e Batina. Em Março de 1916 a Academia do Porto institucionalizou mesmo a Capa e Batina como traje oficial, determinando que o traje deveria passar a ser usado com pastas e fitas das cores dos vários cursos a partir do dia 15 de Março de 1916. Esta decisão, tomada em finais de Fevereiro, foi dada a conhecer em tom de lamento bairrista pela Gazeta de Coimbra de Sábado, dia 04 de Março de 1916, sendo de deduzir que a decisão da Academia do Porto abrangia os alunos de ambos os sexos do ensino superior e liceu;
-no período da Primeira Guerra Mundial, já com a bainha do vestuário feminino a subir do tornozelo para a meia perna, fotografias de época documentam a adopção espontânea da "Capa e Batina Feminina" por alunas de alguns liceus. Estava-se no período 1915-1916 [1], e o que as fotografias mostram é uma capa, eventualmente gorro ou barretina, e um fato-saia-casaco escuro segundo o corte de época;
-o antecedente que esteve na origem do decreto de 1924 foi um "conflito" entre uma aluna de um Liceu de Lisboa que pretendia usar Capa e Batina e o respectivo reitor. Confrontado com as reclamações da aluna, o reitor optou pela proibição, atitude que fez solidarizar os estudantes com a causa da aluna e escancarou as portas a um surto de greve. Como resultado, no mês seguinte, o Governo da República nacionalizava a Capa e Batina, tornando-a extensiva aos alunos de ambos os sexos das universidades, institutos de ensino superior e liceus. Embora o legislador não explicitasse o que entendia por "modelo tradicional feminino", as estudantes dos liceus não tiveram dúvidas quanto a tratar-se do modelo em uso diletante desde 1915.
Pelos meados da década de 1940, seguir-se-ia a consagração como traje artístico no Orfeão da Universidade do Porto (presume-se que a partir do Orfeão, o figurino foi sendo acolhido pelas estudantes da Academia do Porto). A Academia de Coimbra, essa, manteve-se totalmente à margem da feminilização do traje até à década de 1950...
Na conjuntura de euforia revivalista que se viveu após 1974, a doce ilusão de um só traje académico à escala nacional breve se desvaneceu. Se em 1910 já não existia só um traje académico, depois do 25 de Abril, os jovens académicos das décadas de 1980-1990 não pararam de surpreender em termos de cores e de figurinos: pretos, castanhos e azuis, com capa e sem capa, cabeça descoberta e chapelaria variada, calças e calções.
Foram tempos de fadiga e de fastio do monolitismo herdado da modernidade autoritária e linearista que na sua ânsia de indefinido progresso hipotecara o ócio, o prazer e os particularismos. A explosão do politeísmo dos valores foi uma revolta juvenil, vivida euforicamente na passagem da década de 1970 para os anos oitenta sobre os despojos do Maio de 68, da Crise Académica de 1969, em confronto declarado com a niilização, a nadificação do sócio-cultural e as parusias do fim da História. Contrariamente à ideia feita de que os movimentos restauracionistas só mobilizaram as direitas políticas e ideológicas, a distância projecta outra luz sobre a diversidade cultural, política e ideológica dos aderentes: a direita conservadora teve a sua oportunidade, mas também lá marcaram presença socialistas moderados, liberais de orientação anglo-saxónica, revisionistas de ideologia indefinida, adeptos do modernismo moderado (para quem importava corrigir os excessos da razão omnisciente e omnipotente, apontando já para o que se veio a chamar o "multiculturalismo", como era o caso do autor destas linhas), relativistas de orientação pouco definida, e também filhos de emigrantes, de pequeno-burgueses e de camponeses que através de bolsas de estudo chegavam pela primeira vez ao ensino superior e queriam viver uma Coimbra com "tradições".
A corrida às "tradições", isto é, a reflexão sobre as identidades, não marcou apenas as gerações académicas portuguesas pós-1974. Na Bélgica e em França foram os anos da fundação das confrarias báquicas e gastronómicas, com o seu cortejo de trajes revivalistas. Em Portugal debutaram as confrarias gastronómicas, as feiras medievais, os carnavais e as semanas festivas municipais. Em simultâneo, não deixaram de aparecer novas seitas religiosas, grupos juvenis urbanos (punks, etc.) e claques futebolísticas armadas de bandeiras, gorros, capacetes, camisolas, cachecóis, emblemas e bonés. Eram os anos da "perversão polimórfica" (Freud), ou na expressão dos sociólogos, do triunfo da "tribalização".
Na vertigem da variedade, há um quase traço comum que perpassa de academia para academia: a calça comprida não parece ter seduzido os elementos femininos, predominando a saia. E aqui, a Escola Superior Agrária de Coimbra é novamente excepção, ao consagrar a calça comprida para ambos os sexos em finais da década de 1980.
Independentemente desses novos trajes terem ignorado o decreto nacionalizador de 1924, algumas leituras se insinuam:
-a Capa e Batina abandonou os bancos e corredores dos velhos liceus e não dá sinais de revitalização nas escolas secundárias massificadas (será definitivo? Nos EUA e países satélites, a cerimónia liceal de gradução com "cap and gown" transformou-se em mega festa). Assinalam-se sobrevivências na Tuna Académica do Liceu de Évora/Escola Secundária André de Gouveia (fundada em 1900, com o clássico laçarote verde e branco) e nos membros da comissão das Festas Nicolinas do antigo Liceu de Guimarães (o traje de base é a Capa e Batina oriunda de Coimbra, definida com as nomenclaturas de "Traje Nicolino" e "Traje Tradicional Vimaranese". Registe-se a reclamação de virtual origem seiscentista e a "guerra" com o Tricórnio da Universidade do Minho: htt://www.nicolinas.pt/comissao_historia.htm-28k, idem, http://www.nicolinas.pt/traje.htm-25k; ibidem, http://tordesilhas.blogspot.com/, post de 01/12/2004).
O vazio de produção simbólica específica do Estado (escudo nacional, alegoria da República) e a inexistência de elementos vestimentários distintivos no básico e secundário tem sido preenchido em muitas creches, escolas do terceiro ciclo (do 5º ao 9º ano) e estabelecimentos públicos do ensino secundário por bonés e cachecóis de claques de futebol, fenómeno que além de reflectir construções identitárias substitutivas, ilustra os processos de tribalização juvenil (como tal, perdida a ligação entre o estudante do ensino secundário e os elementos de simbolização da identidade dos académicos do ensino superior, irrompe um novo fenómeno: os símbolos vestimentários da claque do clube de futebol dominante na região onde está implantada a escola passam a ser apropriados e vividos como símbolos dos alunos e turmas que num dado momento frequentam aquela escola);
-a velha Capa e Batina de austero talho burguês fini-oitocentista coexiste com novos trajes que também são académicos e como tal devem ser considerados em tempos de refluxo do ideário geral e abstracto herdado da Ilustração;
-se alguns desses novos trajes académicos foram produzidos/inventados com o conhecimento e a colaboração do órgão reitoral/directivo (caso da Univ. do Minho), outros parecem resultar tão só de iniciativas estudantis não partilhadas pelos órgãos de gestão das universidades ou politécnicos.
O movimento vestimentário parece ter entrado em ciclo de acalmação, não se podendo considerar como algo de insólito num horizonte português que também foi epocalmente marcado pela invenção de múltiplos trajes destinados a docentes universitários e confrarias gastronómicas. E quem julgar que a ânsia de trajes é pecha de portugueses inseguros quanto à definição da sua identidade no rescaldo da adesão à Comunidade Europeia e da perda das velhas colónias, nada melhor do que espreitar o que se passou em França, na Bélgica, em escolas asiáticas e europeias que consagram a "cap and gown" importada dos EUA, nos países de leste desvinculados da esfera soviética (em universidades da Roménia e da Polónia são mesmo adoptados símbolos e barretes clericais) ou em tunas entretanto constituídas em universidades espanholas fundadas entre 1990-2005.
O único dado verdadeiramente seguro e estimulante do ponto de vista da imaginação criadora é o saber-se que a visão unitária e monolítica de "um só traje"/"uma só cor" cedeu definitivamente espaço aos Trajes Académicos Portugueses. É a polifonia dos figurinos e das cores, que deve ser contextualizada e aceite pelo mundo dos adultos como acto imaginativo intrínsico à construção das identidades juvenis, já a lembrar a alegre celebração explícita no "Gaudeamus igitur/Iuvenes dum sum".
Site: Portugaltunas. Forum de Discussão
NOTA:
[1] Na 1ª versão deste texto apontava-se como data putativa de início do uso do modelo feminino da Capa e Batina discente o ano de 1917, na Academia do Porto e em alguns liceus, para tanto recorrendo a fotos e legendas publicadas pelo Dr. João Caramalho Domingues no Blog "guitarradecoimbra" em 09 de Janeiro de 2006 (em particular fotos de um peditório para os feridos da Grande Guerra nas ruas do Porto, divulgadas na revista bracarense «Illustração Catholica», Ano IV, Nº 198, de 14 de Abril de 1917, p. 529, e ainda numa foto da então liceal Florbela Espanca, contida na respectiva fotobiografia). Informações provenientes da imprensa periódica, nomedamente «Gazeta de Coimbra», obrigam-nos a corrigir a primeira hipótese, uma vez que decisões de uso de Capa e Batina por alunos de ambos os sexos foram tomadas pela Academia de Lisboa em Outubro de 1915 e Academia do Porto em Fevereiro/Março de 1916.
António Manuel Nunes






Encontros com a guitarra II, ontem, na sede do Coro dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra, uma organização da Orquestra Clássica do Centro, sob a orientação de Pedro Caldeira Cabral. Na primeira foto vemos este falando de vários aspectos relacionados com a guitarra portuguesa. Seguem-se aspectos da assistência e, por último, Manuel Ribeiro mostra uma guitarra muito antiga, com um formato mais pequeno que o habitual, mas de grande beleza.
Esperemos que estes encontros sejam para continuar e espero também que os guitarristas da nossa praça se dignem aparecer, saindo do pedestal em que se encontram.

Pedro Caldeira Cabral executando peças exemplificativas com vista à elaboração de um programa para um espectáculo. Pedro Caldeira Cabral e João Cuña falando de um projecto para um novo site sobre a guitarra portuguesa, a abrir brevemente.
Maria Emília Martins, Presidente da Orquestra Clássica do Centro, responsável pela elaboração deste encontro de guitarra, com Virgílio Caseiro, maestro da mesma orquestra.
Virgílio Caseiro experimentando uma guitarra.
Encontros com a guitarra II, sob a orientação de Pedro Caldeira Cabral, ontem, na sede dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra. Nesta última foto vemos Paulo Alexandre, Virgílio Caseiro, Pedro Pinto, Manuel Ribeiro e André Boita.

Rui Amendoeira interpreta "Romance nº 2" de Carlos Paredes, acompanhado por Pedro Pinto.
Ana Cristina executa "Valsa de outros tempos" de Gonçalo e Artur Paredes, acompanhada por Pedro Pinto.
Pedro Costa interpreta "Canto do amanhecer", de Carlos Paredes, acompanhado por Pedro Pinto.
Hugo Reis interpreta "Brinquedo" de Pedro Caldeira Cabral.
Manuel Ribeiro interpreta "Tarde de Serenata" de Paulo Soares, acompanhado por Pedro Pinto e Ana Cristina.
Encontros com a guitarra II, ontem, na Casa da Cultura, sob a orientação de Pedro Caldeira Cabral. Nesta última foto vemos Jorge Figueiredo a executar "Variações em Lá menor" de João Bagão.

Pedro Pinto executa "Danças" de Octávio Sérgio, acompanhado por Ana Cristina.

José Alegre e João Cuña executam "Libertango" de Astor Piazzola.

José Alegre, interpretando Piazzola.
Rui Vinagre interpreta "Pantomima de Carlos Paredes.

Encontros com a guitarra II, sob a orientação de Pedro Caldeira Cabral, ontem, na Casa da Cultura. Nesta última foto, PCC executa a "Sonata K.11" de Domenico Scarlatti.

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